DECEA realiza alterações nas rotas dos helicópteros no Rio de Janeiro

DECEA atende as reclamações dos moradores e realiza alterações em rotas de helicóptero no Rio.

Visando a diminuição nos transtornos enfrentados pelo grupo de moradores da Lagoa há alguns meses devido o barulho causado pelas aeronaves, o aumento da altura mínima para voos é uma das alterações realizadas pelo DECEA. Há casos em que a altitude mínima foi alterada para cinco vezes mais.

No dia 8 de Maio, por determinação do Departamento de Controle de Espaço Aéreo (DECEA), os helicópteros que voarem em direção ao Cristo Redentor são obrigados a subir para 2.500 pés (762 metros) a partir do meio da Lagoa Rodrigo de Freitas. Antes as aeronaves trafegavam sobre a área residencial do Jardim Botânico e do Humaitá a 500 pés (aproximadamente 150 metros). Existe a obrigação dos pilotos em pedir autorização à torre de controle de voos do Aeroporto Santos Dumont. Segundo a Infraero, os operadores de tráfego estão preparados para o aumento no número de pedidos de permissões e não estão sobrecarregados.

Para simplificar a rota em direção ao Santos Dumont, o DECEA apresentou como alternativa uma outra via já existente, que passa pelo Jardim de Alah e segue pela orla. O órgão se comprometeu a negociar com os pilotos um “acordo de cavalheiros”: eles subiriam a mil pés (cerca de 300 metros) no meio da Lagoa e manteriam essa altura enquanto cruzarem a área urbana pelo Jardim de Alah, até chegarem ao mar. Ali, o limite hoje é de 500 pés.

Embora não tenha sido motivada pelas reclamações do movimento Rio Livre de Helicópteros Sem Lei, a alteração na rota de quem sobrevoa o Cristo já favorece os moradores que reclamam do barulho, segundo o coronel Cesar Augusto Borges Tuna, chefe do Serviço Regional de Proteção ao Voo do Decea no Rio e em São Paulo. Tuna explicou que a mudança foi implantada devido às novas restrições na rota 2 (que passa pela Zona Sul) do Aeroporto Santos Dumont. Desde o fim do ano passado, os aviões que decolam e aterrissam no local tiveram alterados o ângulo de aproximação e a altura da rota, devido ao impacto do barulho dos aviões em outros bairros, como Botafogo, Flamengo, Urca, Laranjeiras, Glória e Santa Teresa.

Decea admite não ter como fiscalizar

O Decea, subordinado ao Ministério da Defesa, reuniu-se anteontem com representantes do movimento Rio Livre de Helicópteros Sem Lei para apresentar as novidades, que foram recebidas de forma positiva. A Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe) ressaltou que não tem poder fiscalizador, mas é solidária com os anseios da população pelo reordenamento do tráfego em algumas regiões do Rio. Em nota, a entidade afirmou que “os pilotos moram na cidade e, quando não estão voando, percebem o desconforto”.

Faremos o acordo com os pilotos, mas nossos radares não detectam o espaço aéreo da região nessas altitudes. Logo, não temos como fiscalizar. Além disso, as normas internacionais dizem que sobre áreas urbanas os pilotos estão autorizados a voar a 500 pés. No caso do Corcovado, temos uma questão de segurança, e há um documento determinando que os pilotos subam a 2.500 pés, mas no Jardim de Alah não temos como obrigar — reconheceu o coronel Tuna. — De qualquer forma, nossa experiência mostra que é possível negociar com os profissionais. Eles costumam entender que vão ser prejudicados em sua própria atividade se não cumprirem o acordo.”

A Abraphe informou que “desde que o grupo de pilotos que opera e reside no Rio tomou conhecimento das reclamações, vem buscando experiências que diminuam o incômodo. Uma delas é buscar a altitude de mil pés ao decolar do heliponto da Lagoa, por exemplo”.

O novo presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico, João Mauro Senise, considerou positivas as novidades apresentadas na reunião com o Decea. Para ele, a tendência é que o ruído seja reduzido, embora ainda faltem alguns pontos para ser discutidos:

Não resolveu o nosso problema, mas melhorou. A questão é que o Decea diz não ter como monitorar se as novas regras vão ser respeitadas. Cairá mais uma vez no colo da população fiscalizar, e é difícil avaliar da terra se a aeronave está na altura certa. Além disso, ainda precisamos regulamentar horários de sobrevoo dos helicópteros e o número de aeronaves. Esses assuntos não foram discutidos na reunião.

Rio de Janeiro sofre problemas com Helipontos ilegais.

Leblon e Ipanema estão apreensivos

Enquanto alguns comemoravam, outros ficaram apreensivos com a novidade. Representantes de moradores e comerciantes do Leblon e de Ipanema estão preocupados com a possibilidade de que o aumento do tráfego de helicópteros pela orla apenas transfira o problema de lugar. Informada sobre as mudanças, a presidente da Associação de Moradores e Amigos do Leblon, Evelyn Rosenzweig, disse que na última semana reparou ter havido um aumento do número de aeronaves na região:

O barulho de helicópteros chamou a minha atenção, mas não sei se tem relação com a realização da Rio+20. De qualquer forma, essa mudança preocupa. Estamos apoiando, de forma solidária, o movimento das associações de moradores, mas espero que não acabemos nos tornando vítimas também.”

A preocupação é compartilhada por Augusto Boisson, presidente da Associação de Proprietários de Prédios do Leblon, membro do Conselho de Segurança da região e fundador do Grupo de Amigos do Jardim de Alah.

O aumento no fluxo de helicópteros pela orla pode incomodar moradores e também os banhistas, sem falar em questões de segurança. Essas aeronaves são bem mais perigosas do que aviões. Se o problema for constatado, vamos reagir à altura.

Fonte: Aero +

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